junho 10th, 2010 by Atelier de Violino
Viola Wellington Fernando Barbosa
Nome de batismo: Kyssia
Número 15
Data da etiqueta
16-11-2000
Tamanho 42,7 cm.
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Viola de Wellington Fernando Barbosa
Matéria publicada sobre Wellington Fernando Barbosa
A arte de traduzir os sons
06 de junho de 2009
O talento do luthiê paraibano Wellington Fernando transforma arte em música; instrumento feito por ele foi usado, inclusive, na abertura do Pan do Rio
Quando Wellington Fernando Barbosa foi convidado para fazer um curso de Lutheria, a arte de fabricar instrumentos musicais, ele sequer tinha visto um violino na vida. Mas aos 20 anos, quando recebeu o convite da Fundação Nacional de Artes (Funarte) para ir estudar no Rio de Janeiro, já era um mestre da marcenaria. Tudo aconteceu por acaso, no ano de 1978. Mas a vocação já havia despertado aos sete anos quando ele, paraibano de Araruna, fabricava carrinhos para vender na feira da cidade. Como matéria prima usava as antigas caixas de sabão, de madeira, que ele recolhia nas bodegas.
Em todo o Brasil hoje são pouco mais de cem profissionais mestres na arte da Lutheria, com mais de dois mil anos de tradição. E o paraibano Wellington, também responsável pela manutenção dos instrumentos do Departamento de Música da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) há 25 anos, é um deles. O nome vem da palavra francesa, “lut”, que os italianos chamam de “lutai”. Com um trabalho reconhecido em todo o território nacional e países como Espanha, Colômbia, Estados Unidos e França, o luthiê paraibano dedica de oito a quinze horas por dia para fabricar instrumentos que podem custar entre R$ 6 e R$ 25 mil.
Gosta de trabalhar especialmente à noite, ouvindo sempre uma boa música. Normalmente leva de 20 a 30 dias para terminar uma encomenda. Um processo artesanal, que requer íntima relação entre produtor e produto, em uma profissão que se confunde com a arte. Os raros violinos Stradivarius, para se ter uma idéia, podem custar até R$ 3 milhões. O preço costuma ser definido pela qualidade do som e beleza do instrumento.
Convite da Funarte no Rio
e primeiro contato com o violino
Aos 13 anos Wellington Fernando já morava com a família em João Pessoa e sua produção de carrinhos era agora comercializada na esquina do tradicional Paraíba Palace Hotel, no Centro da cidade. Ele e o amigo que o acompanharia futuramente no aprendizado no Rio de Janeiro, Pedro de Lima, eram aprendizes em uma marcenaria. Wellingtom lembra que lhe foi oferecido um salário inicial de 10 mil cruzeiros por semana apenas para lixar madeiras e fazer pequenos serviços. Na segunda semana já estava começando a fabricar móveis e teve o salário dobrado. Em pouco tempo já superava o conhecimento de seu empregador.
Algum tempo depois um conhecido da família, que era taxista, foi encarregado de receber um importante luthiê brasileiro e representante da Funarte, Guido Pascoli. Ele estava na Paraíba em busca de jovens talentosos, filhos de operários, interessados em participar de um projeto aprendiz. Uma parceria do Governo do Estado, na pessoa do então governador Tarcísio Burity, com o governo federal. A coincidência é que esse conhecido, seu Moraes, morava na rua de Wellington e sugeriu os nomes para Guido.
Surpreso com o convite Wellington foi apresentado pela primeira vez a um violino através de foto, pelo professor Guido Pascoli. Entre aprovação dos nomes e a viagem para o Rio, quase um ano de espera. Os dois amigos já chegaram com o curso em andamento, mas logo superaram os colegas e em menos de dois meses já estavam adiantados. No caso de Wellington ao final do ano já era monitor da turma de 12 alunos. Durante os 4 anos de curso eles costumavam passar as férias na cidade, e sempre traziam uma novidade. No primeiro ano Wellington trouxe um violino que levou para mostrar ao governador Burity.
Normalmente inquieto, quando mergulha no seu trabalho Wellington é de uma paciência e dedicação fora do comum. Ele costuma chamar seu ateliê de laboratório, visto que na confecção de violas, violinos, violoncelos e contrabaixos, utiliza-se de conhecimentos de Física, Química e Matemática. Um trabalho de precisão que ele compara à fabricação de relógios. “Isso aqui é tudo para mim”, diz orgulhoso. De tão apaixonado pelo que faz costuma manter contato com os músicos que compram seus instrumentos. Carinhosamente ele liga de tempos em tempos para saber como vai o instrumento.
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Em 2007 viu pela televisão um dos seus trabalhos na orquestra que participava da cerimônia de abertura dos Jogos Pan-americanos, realizados no Rio de Janeiro. “Eu faço um instrumento pensando no músico e nas pessoas que vão ouvir a sua música. O artista diz, eu quero um som assim, cheio, aveludado, e a partir daí eu vou sentir, observar suas mãos”, explica Wellington Fernando. Os instrumentos são feitos sob medida e o luthiê é um verdadeiro artesão.
Da época que retornou à Paraíba, já com a definição da profissão que iria lhe acompanhar por toda a vida, ele lembra com saudade. Mais uma vez por determinação do governador Burity eles foram encaminhados para a Escola de Música que ficava na Rua das Trincheiras, enquanto aguardavam a finalização da construção do Espaço Cultural José Lins do Rego, em 1982, local onde Wellington e Pedro iriam criar e implantar a Escola de Lutheria da Paraíba. Seriam responsáveis agora pela confecção e manutenção dos instrumentos das orquestras mantidas pelo Estado.
No início contaram com a colaboração da Funarte, com a doação das caras madeiras importadas, utilizadas para confeccionar os instrumentos; e também com um antigo professor da escola carioca, Luís Bellini, que na época já morava nos Estados Unidos e prontamente atendeu um pedido de Wellington na doação de ferramentas. Ele retribuía então um presente de seu aluno que enquanto aprendiz havia confeccionado uma série de plainas de madeira, algo inovador, e lhe presenteara. Demonstração do talento que serve para confirmar uma Paraíba rica em pessoas que fazem a diferença.
Lilla Ferreira
Repórter